Data do século XVIII a descoberta do ouro em Passagem. Os bandeirantes, percorrendo os cursos d’água da bacia do Rio Doce, atingiram o Ribeirão do Carmo, no qual localizaram Ouro aluvionar abundante. Subindo o Ribeirão, em típica prospecção por bateia, descobriram em 1719 as jazidas primárias de Passagem. Ao mesmo tempo, pela bacia do São Francisco, subindo o Rio das Velhas, outros bandeirantes, entre eles Borba Gato e Antônio Dias, chegaram à região de Ouro Preto. De 1729 a 1756, vários mineiros obtiveram concessões para exploração das jazidas. Com o passar dos anos, reduziram-se a um único. Após sua morte, seus herdeiros transeriram a mina, a 12 de março de 1819, ao Barão W. L. Von Eschwege. Os trabalhos, até então, concentravam-se no Morro de Santo Antônio e eram executados por mão-de-obra servil, a céu-aberto ou mediante pequenos serviços subterrâneos assistemáticos. Recuperava-se o Ouro contido nos Itabiritos, na Jacutinga e na canga Ferro-Aurífera. Segundo a tradição, povoaram as senzalas do Morro de Santo Antônio, 35.000 escravos. As ruínas ainda lá existentes testemunham esse remoto passado. Remonta a essa ápoca, a origem da lenda do "menino de couro. Poços verticais, em grande número, ainda lá encontrados, ocultos pela vegetação rasteira, eram progressiva e lentamente escavados pelos curumins negros, o suficiente para deixar passar apertado o pequeno corpo. Iam à procura do veio aurífero e neste, da salbanda, espécie de camada intermediária, de fraca consistência, escavável mesmo à mão, e muito rica em Ouro, chegando a atingir 200 g por tonelada de minério. Levavam consigo, esses pequenos escravos, uma bolsa de couro para o transporte do material que suas frágeis mãos retiravam à superfície. Daí o nome, que os mineiros passaram a atribuir à própria salbanda. Diz a lenda que muito ouro saiu de Santo Antônio por esse processo e que muitos desses garotos jazem no fundo dos poços. Eschwege formou a primeira empresa mineradora do Brasil, sob o nome de Sociedade Mineralógica de Passagem. Construiu o engenho, com dez pilões californianos, ainda hoje em atividade, e estabeleceu o primeiro plano de lavra subterrânea que, com aperfeiçoamento no correr dos anos, ainda é utilizado, sob elogios gerais. Somente após o ano de 1800 é que se descobriu o ouro nos Quartzitos, nos xistos grafitosos e nos dolomitos, dando novo rumo à exploração de jazidas. Após anos de prosperidade, o Barão de Eschwege, atraído por novas atividades na siderurgia pioneira, desinteressou-se da mineração do ouro. A Sociedade Mineralógica passou, a 1º de junho de 1859, às mãos do mineiro inglês Thomas Bawden. Este, depois de trabalhar quatro anos, revendeu-a , a 26 de novembro de 1863, a Thomas Treolar, representante da nova empresa em formação, a "Anglo Brazilian Gold Mining Company Limited", que encampou a Sociedade Mineralógica de Passagem. A "Anglo Brazilian" adquiriu diversas concessões vizinhas, como Paredão e Mata Cavalos e trabalhou as jazidas de 1864 a 1873, produzindo 753.501 gramas de ouro ao teor médio de 6,89 gramas por tonelada de minério. De 1874 a 1883, a mina esteve paralisada. A 24 de março de 1883, foi vendida a um sindicato francês, que constituiu a "The Ouro Preto Gold Mines of Brazil Limited". A nova empresa operou com grande sucesso até março de 1927, quando foi vendida ao Grupo Ferreira Guimarães, banqueiros de Minas Gerais, e transformada, em maio do mesmo ano, na atual Companhia Minas da Passagem. A Companhia Minas da Passagem operou regularmente até 1954. De então, até 1960, esteve paralisada. Tentativas de reabertura, de 1959 a 1966, resultaram infrutíferas. De 1967 a 1973, novamente paralisada. A 19 de dezembro de 1973, o Grupo da Companhia Anglo Brasileira de Construções adquiriu o controle acionário da Companhia Minas da Passagem, sem ter tido sucesso nas tentativas, então desordenadas, de desenvolver o empreendimento. Em setembro de 1976, os então majoritários, reconhecendo o insucesso de suas tentativas, instaram com o Dr. Walter Rodrigues, no sentido de que este assumisse o controle acionário, bem como organizasse administrativamente a empresa. De então para cá, a empresa foi saneada financeiramente e ordenada administrativamente, encontrando-se hoje, depois de esforços e lutas, em posição equilibrada e próspera. A mineração de ouro se tornou inviável, porém a Mina da Passagem estava fadada ao sucesso com a exploração de um novo filão : o turismo. A mina foi aberta à visitação, proporcionando aos turistas do mundo todo, que chegam em grande número, a oportunidade única de ver de perto os resquícios do passado histórico e glorioso de Minas Gerais. O passeio pelo seu interior é curto mas nem por isso as emoções são pequenas. Logo na entrada da mina, a primeira surpresa. Os visitantes são acomodados em uma vagoneta sobre trilhos - o mesmo veículo utilizado pelos mineradores desde a fundação da mina, no século passado. A descida até a entrada é íngreme e emoldurada por vegetação densa. O Carrinho desce lentamente, levado por um cabo de aço movido por ar comprimido. Depois de três minutos de descida, começam as andanças pelos onze quilômetros quadrados da mina aberta à visitação. Lá embaixo, os guias orientam as visitas, revelando curiosidades. "Para conseguir de 12 a 30 gramas de ouro, era preciso retirar mil quilos de pedras do interior da mina", conta o guia Antônio Jacinto Sena. Ele aponta para restos de exploração. Como os pilares de quartzito, que ainda sustentam toda a mina. Caminhando pelo interior da mina, é possível encontrar cenas ainda mais curiosas. Em uma piscina, formada pela infiltração da água de galerias subterrâneas, a imaginação voa alto. A água cristalina e parada cria a ilusão de que o teto está unido ao fundo da piscina. No reflexo as formações rochosas ficam anda mais interessantes.