Veja todas as novidades
 

 
 

Shutter speed
8/6/2010

What is TRIMIX?
7/7/2010

Conheça e entenda o Obturador de sua câmera
6/18/2010

Mergulho Recreativo Adaptado para pessoas com deficiências na atividade turística no RN: Um mergulho de inclusão
6/16/2010
 
Veja mais artigos



 
Artigos publicados: 69
Usuários cadastrados: 401
Usuários on-line: 2
 
 
 


Misturas gasosas

12/16/2009 - por Internet

Durante o curso básico de mergulho autônomo muitas pessoas fazem uma descoberta: que o famoso "cilindro de oxigênio" é na realidade cheio de ar atmosférico (aproximadamente 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio) e que hoje 99% dos mergulhos amadores são feitos utilizando-se ar como mistura respiratória. No entanto, com os mergulhadores procurando atingir profundidades e tempos de fundo cada vez maiores e paralelamente tentando diminuir os tempos de descompressão, chegou-se a uma conclusão: o ar não é, na maioria dos casos, a mistura gasosa ideal para o mergulho. Apesar do baixo custo e da alta disponibilidade, o ar está longe de ser a alternativa ideal para a maioria dos mergulhos.

Nos mergulhos entre 15 e 40 metros o uso do ar implica em tempos de descompressão muito grandes. Abaixo de 40 metros surge o fantasma da narcose pelo nitrogênio, que pode deixar o mergulhador em um estado de embriaguez semelhante ao causado por bebidas alcólicas e que afeta os reflexos e a capacidade de julgamento. Além dos 66 metros o mergulhador corre o risco de sofrer convulsões devido à influência tóxica do oxigênio no sistema nervoso central. Desde a década de 50, misturas gasosas diferentes do ar são utilizadas rotineiramente no mergulho comercial e desde 1985 vêm ganhando popularidade no mergulho amador.

A utilização de misturas especiais permite que os mergulhadores aumentem seus tempos de fundo, diminuam o risco da narcose pelo nitrogênio e de intoxicação pelo oxigênio, o que facilita aquilo que eles mergulhadores mais querem: permanecer no fundo com segurança o maior tempo possível.

Nitrox

Desde 1985 um conjunto específico de misturas vem se popularizando cada vez mais no mergulho amador: as misturas nitrox, compostas por oxigênio e nitrogênio em porcentagens diferentes daquelas encontradas no aratmosférico. Oferecendo tempos de fundo maiores e intervalos de superfície menores com uma boa margem de segurança para mergulhos entre 10 e 40 metros de profundidade, espera-se que o nitrox passe por uma explosão de popularidade nos próximos anos, principalmente após o aval de grandes certificadoras como a PADI.

Além de ser utilizado por mergulhadores recreativos como um substituto para o ar (com muitas vantagens), mergulhadores técnicos utilizam nitrox para reduzir o tempo de descompressão em mergulhos profundos.

Heliox & Trimix

A primeira aplicação em larga escala do HeliOx aconteceu em 1939. Na época a marinha dos EUA realizava diversos estudos visando determinar a viabilidade do uso de misturas para mergulhos profundos. O heliox era o candidato mais promissor. Quando o submarino U.S.S. Squalus afundou a 74 m de profundidade e foi rapidamente localizado com os tripulantes ainda vivos, a marinha iniciou um esforço frenético para resgata-los. No entanto, as tentativas falharam porque mergulhadores, utilizando ar, eram incapazes de prender um cabo que guiaria a câmara de resgate até o submarino, afetados pela narcose pelo nitrogênio. A marinha decidiu então tentar utilizar as novas misturas heliox. Logo um mergulhador prendeu o cabo que permitiria o resgate dos 33 sobreviventes. Em seguida, após 100 mergulhos com a nova mistura, o Squalus foi trazido de volta à superfície, reparado, rebatizado de Sailfish e recolocado na ativa, onde permaneceu durante a 2a Guerra Mundial. Estava encerrada a era dos mergulhos profundos utilizando ar.

Embora o heliox seja largamente utilizado em mergulho comercial, ele apresenta três problemas: alto custo, tempos de descompressão inviavelmente longos para mergulhos curtos e a síndrome nervosa das altas pressões (SNAP). Em 1965 descobriu-se que mergulhadores utilizando heliox a mais de 150 m de profundidade eram acometidos de tremores incontroláveis, mas que a adição de pequenas quantidades de nitrogênio à mistura eliminavam este efeito do hélio. Nascia então o Trimix - um conjunto de misturas de hélio, oxigênio e nitrogênio que permitia que mergulhadores atingissem profundidades de mais de 700 m em ambiente de laboratório.

No mergulho técnico o heliox teve uma vida curta, já que o trimix foi utilizado desde o início. Estas misturas eram muito mais baratas que o heliox (devido ao alto custo de hélio) e permitiam descompressões muito mais rápidas. Por exemplo, para um mergulho a 80 metros de profundidade com 20 minutos de tempo de fundo, uma mistura heliox 16 (16% de oxigênio e 84% de hélio) implica em mais de 30 horas de descompressão. O mesmo mergulho com trimix 16/24 (16% de oxigênio, 24% de hélio e 60% de nitrogênio) exige uma descompressão de menos de 5 horas ! Hoje o trimix é a mistura preferida dos mergulhadores que se aventuram a mais de 60 m de profundidade, principalmente em ambientes que exigem alta concentração como naufrágios e cavernas.

Como escolher a melhor mistura

Mas quais são os critérios para o mergulhador selecionar a melhor mistura ? Nos mergulhos até 40 m de profundidade, a receita é relativamente simples, já que a mistura escolhida será provavelmente nitrox. O único fator a ser considerado é a toxidade do oxigênio: calcula-se a pressão parcial do oxigênio na profundidade máxima e esta não deve exceder 1.4 ata. Tomemos como exemplo um mergulho a 28 metros. Nesta profundidade, a pressão ambiente é de 3.8 ata. Dividindo-se a pressão parcial desejada para o oxigênio (1.4 ata) pela pressão ambiente (3.8 ata), chegamos a uma fração de oxigênio de 36%, o que implica em uma mistura com 36% de oxigênio e 64% de nitrogênio. Em um curso de mergulho com nitrox você aprende facilmente como efetuar estes cálculos e determinar as paradas de descompressão necessárias para este mergulho.

Para profundidades entre 40 m e 60 m, a mistura ideal ainda é o ar, mas o mergulhador pode optar por misturas com maior teor de oxigênio (como o Nitrox 36 ou o Nitrox 80) para reduzir o tempo de descompressão.

Nos mergulhos mais fundos a mistura é normalmente algum tipo de trimix. Os cálculos são um pouco mais complexos e devem levar em conta três fatores: toxidade pelo oxigênio, narcose pelo nitrogênio e tempo de descompressão (uma consequência direta dos dois primeiros fatores). O primeiro passo é calcular a fração de oxigênio da mesma forma que nos mergulhos com nitrox. Em seguida, é preciso determinar a fração de nitrogênio, o que é feito selecionando-se o nível de narcose pelo nitrogênio que o mergulhador está disposto a tolerar e aplicando um conceito chamado "profundidade equivalente narcótica" (PEN ou END), que equipara a narcose de um mergulho com trimix a de um mergulho com ar a uma profundidade menor. Assim, para um mergulho a 90 m, se o mergulhador está disposto a tolerar um nível de narcose equivalente aquele que teria em um mergulho a 45 m com ar, escolheria uma mistura com 14% de oxigênio, 43% de hélio e 43% de nitrogênio.

Os riscos das misturas

Como não poderia deixar de ser, embora o mergulho com misturas traga diversas vantagens, ele também cria novos riscos. Ao decidir usar uma mistura em um determinado mergulho, o mergulhador deve pesar as vantagens e as desvantagens de sua aplicação naquele mergulho específico.

O primeiro problema é a quantidade de equipamento. Para cada mistura, o mergulhador é obrigado a carregar pelo menos um cilindro com regulador. Assim, em um mergulho trimix com duas misturas nitrox para descompressão, o mergulhador carrega no mínimo 3 cilindros, sendo 5 o número mais comum: uma dupla com o trimix a ser usado no fundo, um de 10 ou 12 litros com nitrox 36, um menor com nitrox 80 ou oxigênio puro e mais um pequeno com argônio para a roupa seca - são mais de 100 kg de equipamento ! Além disto, todos os cilindros devem ser limpos para uso com oxigênio puro.

O segundo problema é relacionado à qualidade das misturas e suas trocas debaixo d’água. É necessário um controle preciso dos teores dos diversos gases utilizados, já que qualquer falha pode causar doença descompressiva, narcose excessiva ou intoxicação pelo oxigênio, erros que podem ser fatais a 80 m de profundidade ! Debaixo d’água o mergulhador deve estar atento a qual mistura utilizar em cada etapa do mergulho. Não são poucos os casos em que, por alguma razão, o mergulhador pega o regulador do cilindro de oxigênio puro e passa a respirar este gás a 80 ou 90 m de profundidade, resultando em convulsões e afogamento praticamente imediato. Por isto é importante identificar corretamente cada regulador, a profundidade máxima em que ele pode ser utilizado e prover algum meio de impedir que por descuido o mergulhador respire uma mistura com alto teor de oxigênio na profundidade errada (como "ensacar" os reguladores).

Outro problema que muitas vezes passa desapercebido é o frio. Como o hélio é um excelente condutor de calor, o mergulhador perde calor muito mais rapidamente que quando exposto ao ar ou a água, o que pode levar a uma séria hipotermia. Nos mergulhos com trimix ou heliox, as roupas secas são praticamente indispensáveis e são geralmente cheias de outro gás com maior poder de isolamento, como o argônio. No mergulho comercial a alternativa mais comum para evitar o frio é a utilização de roupas de água quente.

Por fim, as misturas implicam em mais uma dificuldade: o cálculo da descompressão. As tabelas e computadores tradicionais não podem ser usados a não ser nos mergulhos nitrox mais simples. O mergulhador é então obrigado a recorrer a programas como o Abyss para determinar as paradas de descompressão necessárias. Embora os cálculos sejam efetuados automaticamente pelo programa, é fundamental um bom conhecimento da teoria da descompressão para que os parâmetros do programa possam ser ajustados adequadamente, resultando em uma descompressão segura.

Treinamento

O primeiro passo para quem quer conhecer melhor as misturas gasosas é um curso de Nitrox Básico, oferecido regularmente por várias excolas filiadas à PDIC, PADI ou TDI. Neste curso o mergulhador começa a conhecer os riscos da toxidade pelo oxigênio e os cálculos necessários para executar mergulhos recreativos utilizando misturas nitrox com até 40% de oxigênio.

Daí para a frente o mergulhador entra no âmbito do mergulho técnico e os cursos se tornam mais escassos. O curso de Nitrox Avançado é oferecido apenas pelas escolas filiadas à TDI e visa mostar ao mergulhador as vantagens e os riscos da utilização de misturas nitrox com teor de oxigênio entre 32% e 100% para reduzir o tempo de descompressão. Este curso aborda a preparação do equipamento, o controle da pressão parcial do oxigênio, os cálculos de descompressão para mergulhos em que mais de uma mistura gasosa é utilizada e as técnicas para uma descompressão segura, normalmente omitidas dos cursos de mergulho recreativo. Este curso é pré-requisito para os cursos de mergulho profundo com ar, o passo seguinte para aqueles que querem continuar o currículo de mergulho técnico.

Poucos mergulhadores seguem até o ponto máximo do mergulho técnico: os cursos de mergulho com misturas compostas por hélio, oxigênio e nitrogênio (Trimix ou HeliOx). Muito mais complexo que os cursos anteriores, requer dedicação intensa e só é oferecido no Brasil sob demanda, embora em alguns pontos dos EUA seja oferecido regularmente. O objetivo é capacitar os mergulhadores para realização de mergulhos profundos (de 80 a 100 metros) utilizando equipamento autônomo de circuito aberto.

O Futuro

Como os mergulhadores estão buscando cada vez mais atingir profundidades e tempos de fundo maiores, o uso de misturas gasosas deverá crescer nos próximos anos, principalmente a utilização de nitrox. Caso a tecnologia dos equipamentos de circuito fechado ou semi-fechado (rebreathers) venha a se firmar, as misturas terão importância ainda maior, já que praticamente todos os modelos atuais utilizam nitrox, heliox ou trimix como mistura respiratória.

E a busca por novas alternativas não para por aí. Há vários anos, os cientistas buscam misturas melhores que as conhecidas. Misturas compostas por hidrogênio e oxigênio (hidrox e hidreliox) são testadas a mais de 50 anos, embora o risco de explosão desta mistura tenha dificultado sua aplicação comercial. E alguns mergulhadores técnicos vem testando misturas a base de neônio como uma forma de reduzir os tempos de descompressão nos mergulhos mais fundos.

Conclusão

Apesar de trazer diversas vantagens, o mergulho com misturas gera novos riscos para o mergulhador e é fundamental que haja treinamento profissional adequado. Se você pretende realizar mergulhos profundos ou que exijam longas paradas de descompressão, não pense duas vezes e matricule-se nos cursos correspondentes. Mas nem cogite tentar utilizar misturas sem a supervisão de um instrutor experiente !


Fonte: Revista Scuba # 8, Outubro de 1996 / © 1996 Pedro Paulo Cunha

DigitalSub Página Inicial Fotografias Vídeos Operadoras de Mergulho GuestBook Papeis de Parede Quem Somos Do It Yourself Mapa do Site Links Selecionados Equipamentos Logbook Parceiros Contato Fotografias Subaquáticas Fotografias de Superfície